Respondendo a Deus no Processo de Plantação de Igrejas

RESPONDENDO A DEUS NO PROCESSO DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS

Ricardo Costa

“E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade. À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.” (Atos 16.6-10).

 

No processo de plantação de novas igrejas um dos grandes desafios que temos é o de responder aquilo que Deus está fazendo. Qual grupo Deus está alcançando e nos chamando a alcançar com ele? Talvez, para alguns, esse seja um conceito completamente equivocado devido ao modelo que por muito tempo tem sido utilizado no que se chama “plantação de igrejas”.

A questão é que muitas vezes o referencial utilizado para a decisão pela plantação de uma nova igreja, não passa pela questão de se pensar em qual grupo de pessoas devemos alcançar com a nova igreja que será plantada, e sim pela analise de onde há um bom número de crentes da igreja mãe que precisa ser assistido.

Espero que não me entendam mal, eu acredito que cristãos precisem ser atendidos, mas também entendo que isso não se relaciona a plantar uma nova igreja. Quando saímos para a plantação de uma nova igreja precisamos ter a convicção de que esse é um chamado que o próprio Deus está nos dando e precisamos contar com o reconhecimento da igreja mãe que nos está enviando.

Assim, chegamos a esse ponto fundamental! Por que deveríamos plantar uma nova igreja? A resposta é: porque existem pessoas que Deus deseja alcançar a partir dessa nova igreja que será plantada.

Para que cheguemos, portanto, a decisão de quem devemos alcançar com a plantação da nova igreja, quem será nosso “público alvo”, é preciso discernir o que Deus está fazendo e como ele nos chama para participar disso.

Quero convidar você a analisar alguns detalhes do texto de Atos 16.6-10 para juntos aprendermos alguns princípios relacionados a esse processo de decisão quanto a participar do que Deus está fazendo no processo de plantação de uma nova igreja.

O Planejamento

Se observarmos o final do capítulo 15 de Atos, veremos que Paulo e Barnabé são duas pessoas de planejamento. O texto diz que eles planejaram, depois de estarem algum tempo de volta em Antioquia, retornar as cidades que haviam estabelecido igrejas em sua viagem missionária anterior. O propósito era visitar os irmãos por todas as cidades onde haviam anunciado a palavra do Senhor, para ver como passavam (Atos 15.36).

Barnabé desejava levar João Marcos na equipe, mas Paulo não concordou com a ideia, pois Marcos os havia abandonado na primeira viagem missionária. O resultado foi uma desavença entre Paulo e Barnabé que terminou com a separação deles como equipe. Barnabé foi com Marcos para Chipre, deixando de fazer parte da equipe da igreja de Antioquia, e Paulo com Silas partiram para levarem adiante o planejamento estabelecido por eles e confirmado pela igreja de Antioquia (Atos 15.40-41).

Bem, o que vemos nesse episódio é que Paulo com sua equipe trabalhavam a partir de planejamento. Ser liderado por Deus no processo de plantação de novas igrejas não implica em não termos planos traçados, estudados, elaborados, aprovados e apoiados.

Quando a visita às igrejas estabelecidas termina, o texto de Atos 16.6 demonstra claramente que Paulo com sua equipe tinha um roteiro preestabelecido. Eles pretendiam pregar a palavra na Ásia. Mais uma vez vemos como o planejamento era uma realidade presente nas ações estratégicas do apóstolo Paulo e sua equipe.

Algumas pessoas entendem que se somos liderados por Deus na missão, então, não devemos planejar, devemos orar e então agir, mas esse texto nos mostra que toda ação começa com planejamento.

Avaliação

O texto segue demonstrando que outro item presente na ação missionária de Paulo enquanto planta igrejas com sua equipe era a avaliação. Quando o apóstolo com sua equipe são impedidos de irem pregar e plantar igrejas na Ásia começa um processo de avaliação do que deveriam fazer.

Impedidos pelo Espírito Santo de irem para a Ásia, a primeira tentativa é a de se dirigirem para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus mais uma vez os impede. Dirigem-se, então, para Trôade, onde o apóstolo Paulo terá a famosa visão com o “homem da Macedônia”.

Não consigo ler essa decisão por Trôade sem que venha em minha mente a ideia de que foi uma parada estratégica para avaliação do que se fazer. Parte de nosso planejamento é ser sensível ao mover de Deus e as evidências do que ocorre ao nosso redor para, então, prosseguir.

Uma das dificuldades que vejo no processo de plantação de novas igrejas é que, muitas vezes, a equipe, ou grupo base, não consegue ser sensível a essa realidade da reestruturação do planejamento inicial. Para muitos a ideia é que aquilo que formularam e idealizaram como projeto inicial para a plantação da igreja é o que tem que ser levado adiante.

Por exemplo, podemos em nosso planejamento entender que Deus está nos orientando a alcançar o grupo “x” ou “y” e ter o sonho de fazê-lo, mas se as circunstâncias demonstram que há impedimentos para isso, devemos considerar se os mesmos são fruto da contingência da missão, ou se são barreiras que o próprio Deus tem levantado para nos orientar por um outro caminho e até mesmo a um outro grupo.

Avaliar nossas estratégias e chegar à conclusão de que Deus está nos dirigindo por um outro caminho ou a um outro grupo no processo da plantação e ser submisso a isso não é derrota e nem é infidelidade, é sabedoria.

Nesse processo de avaliação está incluso tanto o natural quanto o sobrenatural. O texto nos diz que Paulo tem uma visão à noite. Não nos diz como essa visão se deu. Teria ela sido produzida no meio de um tempo de oração? Veio como um sonho? Não sabemos, o fato é que através de um meio sobrenatural, Paulo teve acesso a uma direção de Deus.

Por outro lado, lemos no texto que após ter Paulo a visão o grupo concluiu que Deus os estava chamando para irem anunciar o evangelho na Macedônia. O que dá a entender que a visão foi discutida e avaliada pelo grupo que chegou à conclusão de que aquilo tinha a ver com uma ação de Deus.

Submissão

Aqui chegamos ao terceiro item do processo de cooperar com Deus no que ele está fazendo a partir da plantação de uma nova igreja, a submissão a sua liderança.

Como fruto de sua avaliação em Trôade, através de uma visão, Paulo e sua equipe chegam à conclusão de que Deus está atuando na Macedônia e os está convocando para se unirem a ele no que está acontecendo ali.

O resultado disso é que eles imediatamente procuraram partir para a Macedônia. Uma vez que tinham a convicção do que Deus estava fazendo e do que estavam sendo chamados para fazer com Deus, não desperdiçaram o seu tempo com mais nada. Entraram em ação.

A nossa procrastinação em agir diante do que Deus está fazendo e mostrando a nós é uma falta de submissão a Seu senhorio sobre nossas vidas. Tenho visto muitas evidências sendo dadas por Deus a grupos e igrejas de que ele os está dirigindo em uma determinada ação, mas a falta de fé e disposição de correr riscos em se envolverem com o que Deus está fazendo tem, muitas vezes, enfraquecido a missão.

Quando, mediante a análise por meios naturais e sobrenaturais, chegamos à conclusão de que existem evidências suficientes de que Deus está agindo em uma determinada frente e tem nos revelado isso, devemos nos submeter a ele e partir imediatamente para a ação.

Um detalhe importante aqui é que não devemos tomar por base as dificuldades como sendo uma evidência de que Deus não está agindo ou que entendemos mal sua direção. Lembremos que a ida de Paulo com sua equipe para a Macedônia gerou a plantação das igrejas de Filipos, Tessalônica e Beréia, mas isso aconteceu em meio a muita dificuldade, oposição e sofrimento.

Como diz um amigo meu: “Ninguém faz missão em condições ideais”. Assim sendo, se queremos de fato participar do que Deus está fazendo precisamos submeter nossa vida e planos a sua direção com a convicção de que Deus é quem lidera de fato todo esse processo.

Conclusão

Para participar em um movimento de plantação de novas igrejas, então, precisamos aprender a ver o que Deus está fazendo e nos envolver com o que ele está nos chamando para fazer.

Esse processo inclui sermos “naturalmente sobrenaturais”, ou seja, entender que existe nossa parte nesse processo como o planejamento e a avaliação e que as mesmas devem ser feitas em submissão ao mover de Deus em nossas vidas através das situações, circunstâncias, mística e palavra de sabedoria dos que estão conosco no processo.

Espero que esse texto possa nos ajudar a refletir sobre o que estamos fazendo ou em como decidir o que devemos fazer à medida que nos envolvemos com o processo da plantação de novas igrejas.