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Cadê Jesus?

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Temos que aprender com a história, com a reflexão, com que é análogo e com que é antagônico nos dias de hoje.

Nós estávamos na Conferência Exponential – maior conferência mundial de plantadores de igreja, uma conferência para mais 5 mil pessoas – e eu conheci um dos pregadores dessa conferência chamado Darrin Patrick.

A história foi assim: eu comprei muitos livros nessa conferência. Estava carregando minha pilha de livros e decidi ir ao banheiro. No hall de entrada do banheiro tinha uma área onde você podia deixar suas coisas para usar o banheiro com maior mobilidade. Foi o que fiz. Deixei minha pilha de livros ali e fui ao banheiro.

Na volta, tinha um sujeito encarando minha pilha de livros. Sou do Rio de Janeiro, não gostei da cena. Ao me aproximar, o indivíduo me indagou se a pilha era minha, ao que de pronto respondi que sim. Ele imediatamente sacou um livro de sua sacola e me deu, afirmando ser aquele o que faltava na minha pilha.

Ele era o autor do próprio livro. Sujeito fantástico! (Perceba como minha atitude em relação a ele mudou). O que mais me chamou a atenção foi a dedicatória que ele escreveu para mim. Diz assim: “Leonardo, mantenha Jesus no centro e todas as coisas sairão bem.”

Unicidade, a centralidade de Jesus.

Agradeci imensamente pelo presente. O livro conta uma história muito interessante do co-autor Matt Carter. Ele escreve que, em 2001, em uma reunião com um grupo que analisaria a sua proposta de plantação de novas igrejas, perguntaram a ele qual o modelo de igreja que ele estava propondo. Seria essa uma igreja com propósito, sem propósito, com graça, sem graça, enfim.

Os analistas tinham interesse em saber essas respostas pois eles acreditavam em modelos de igrejas e ele também deveria ter um pastor modelo para essa igreja. Matt respondeu que precisaria de mais tempo para dar essa resposta. Após um tempo, ele voltou e relatou o modelo de igreja que ele tinha.

Ele descreveu uma igreja que beirava a perfeição em sua descrição. O grupo ficou extasiado com a descrição e em confirmação perguntaram o nome da igreja. Matt respondeu sem gaguejar “Tabernáculo Metropolitano”. Felizes com o nome, eles indagaram quem seria o pastor. Ao que Matt concluiu dizendo que o pastor dessa igreja é Charles H. Spurgeon, em Londres, em 1852.

Qual é o modelo de igreja que nós estamos atrás para plantar? Os valores de Cristo Jesus são os mesmos imutáveis a centenas de milhares de anos.

Quando nós falamos sobre a unicidade de Jesus, do que é que nós estamos falando? A definição de unicidade de Jesus, segundo Berkhof, “As provas são tão abundantes que todos os que aceitam a Bíblia como a infalível Palavra de Deus não podem ter qualquer dúvida sobre este ponto”.

A pergunta que fica é: “quem é Jesus Cristo para você?” Eu quero dizer para você que Jesus Cristo, para mim, Ele é de fato Senhor da minha história – eu sei de onde eu vim. Ele é o Senhor da minha existência e não importa o lugar que eu esteja, sempre darei o melhor. Ele ama a excelência. É Ele quem dirige o nosso ministério. Por vezes você observa os pastores dessas igrejas grandes e conclui que é uma vida boa e de muita sorte.

Porém, não sejamos ignorantes em deixar de lado a história, o caminho que foi percorrido e quem é o Senhor desse caminho.

Permita-me relatar uma experiência que demonstra isso na minha vida. Eu era seminarista. E se você nunca percebeu, ser seminarista é viver no limbo da caminhada ministerial. São anos muito difíceis. Eu estava em um encontro de pastores em Águas de Lindóia e o preletor era o Dr. John Stott. Um amigo veio até mim e me disse que o Stott daria uma palavra para um grupo de pastores e seminaristas que falassem inglês, uma vez que o tradutor não estaria disponível no evento. Eu mais que depressa aceitei. E foi um momento muito enriquecedor para todos nós. Ao fim, Dr. Stott me segurou na porta e disse que tinha gostado de mim. Foi um baita presente de aniversário. Meses depois, eu escrevi uma carta para ele, pois estávamos discutindo a exegese de um texto de João.

Lembrei-o de quem eu era e pedi o ponto de vista dele. Duas semanas depois eu recebi uma carta do Palácio de Buckingham. Imagina minha alegria. E teve um detalhe engraçado: no pé da carta ele escreveu assim “a partir de agora, gostaria que você me chamasse carinhosamente de Tio João.” Levei a carta para a sala de aula e quando o professor de exegese perguntou quem tinha a resposta, eu li a carta explicativa e o professor quis saber como era possível eu ter tal documento nas mãos. Contei a história toda, porém eu conclui dizendo, foi o Senhor quem fez isso tudo na minha vida.

Semelhantemente, quando eu fui fazer mestrado, eu não tinha recursos algum. Tinha que encarar 24 horas de ônibus, deixar a mulher com um bebê de colo. Eu fui com dinheiro contado para a comida. Lembro-me que estava sentado numa tarde lá, pensando como é que eu ia fazer para pedir ao professor que deixasse tirar xérox do material. Nesse momento passa um velhinho com uma câmera fotográfica. Ele olhou pra mim e disse assim, com um sotaque pesado: “pássaras… pássaras…”. Confirmei se era pássaro que ele queria ver, e ele disse que sim. Perguntei, em inglês, de onde ele era e ele respondeu que era de Londres. Me senti familiarizado. Fomos juntos e fui mostrando para ele os lugares onde tinha pássaros e ele tirou fotos de tudo. Ele ficou muito encantado com a beleza que encontrou.

No dia seguinte, tivemos um importante evento no mestrado e o diretor do mestrado fez as honras de apresentar o convidado de Londres que estava ali, era o diretor de Oxford. Ele fez a apresentação dele e encerrou o evento. No dia seguinte, o diretor do mestrado me chamou e me disse que a Oxford tinha uma bolsa integral para eu estudar, pois aquele diretor de Oxford gostou muito de mim e ele deu a bolsa de estudos para mim.

É Jesus quem está nessa história. O ponto aqui é que Jesus faz o que Ele tem para fazer na sua vida. Você não precisa forçar a barra para ver as coisas acontecerem. Basta confiar e entregar sua vida nas mãos dele. Ele abre as portas com as pessoas e das chances que você nem imagina que vai ter porque Ele é Senhor e é essa a unicidade desse Jesus.

Na perspectiva histórico-doutrinária, os evangelistas eram enfáticos de que nós temos que crer nesse Jesus que salva, que cura, que liberta, no Jesus que é Deus.

O Logos encarnado, a Segunda pessoa da Trindade. Os pais apostólicos se preocuparam com isso na Ásia menor: Inácio, Policarpo, Papias. Em Roma: Clemente e Pastor Hermas. Em Alexandria: Epístola de Barnabé. A preocupação desses primeiros escritos era mostrar quem era Jesus.

A pessoa de Jesus. A unicidade de Jesus. O fato de que Jesus é Deus e nós não negociamos a nossa mensagem de que Jesus é Senhor. Jesus dirige, reina, é soberano. A unicidade de Jesus também na mente dos apologistas mostrando que Jesus proclamado não negocia valores. O nosso Jesus não negocia a Sua soberania nem o Seu senhorio. Ele ama a todos e alcança a todos.

Os concílios de Nicéia, Constantinopla e Calcedônia vão estudar isso com grande dedicação. Eles vão versar sobre a pessoa de Jesus e como é que pode duas naturezas numa só pessoa. Por amor ao Senhor Jesus, eles pensavam e escreviam sobre isto numa perspectiva de posicionamento claro. Toda crença cristã relevante surgiu por razões urgentes e práticas em resposta a desafios internos e externos. Nós temos desafios, nós encontramos problemas.

Do Antigo Testamento até a Reforma Protestante, a pessoa de Cristo foi o centro do debate, mas por que é que nós estamos nos esquecendo a pessoa de Jesus Cristo hoje? Fala-se muito sobre a igreja, fala se muito sobre a ação da igreja, fala se muito sobre um monte de coisa, onde você observa ministérios em que as pessoas estão gastando muito tempo para falarem sobre si mesmos, porém elas nunca apresentam o fato de que seu sucesso está, reside e provém da graça de Deus comunicada em Cristo Jesus. Toda honra e toda a glória seja sempre dada a Cristo.

O que significa pluralidade? No conceito secular significa a verdade individual. Eu tenho a minha e você tem a sua. Contudo, quando alguém diz isso, ele já estabeleceu um dogma – é o dogma da individualidade. Quando nós pensamos no conceito eclesiástico, pensamos em sincretismo. A igreja está se propondo a uma pluralidade que é na verdade uma armadilha dogmática do pensamento desse mundo. E esse é um perigo pois, nós assumimos, na maioria das vezes, equivocadamente, uma postura extremista diante do desafio. Ou não aceitamos o diálogo com o mundo, ou assumimos exatamente dogma plural do mundo.

O que Cristo está nos chamando a fazer? João 17.14-18 é a nossa convicção. A pluralidade religiosa como desafio urbano tem o fato de que a igreja precisa olhar atentamente para a questão que é: Jesus tem uma proposta para o ser humano todo. Nas palavras de Samuel Vieira, “quando se minimiza o Cristo encarnado, nega-se a percepção histórica da igreja e permite-se uma omissão subjetiva de sua missão”.

Cristo viveu entre nós e esse é um fato histórico. Nós não cremos num mito. A unicidade de Cristo Jesus não reside apenas na sua pessoa, mas na sua relação com o mundo. Ele veio ao mundo, estabeleceu valores, visão, uma jornada, uma caminhada e propôs algo para nós. Nós estamos aqui para proclamar a Cristo. Um só Senhor, um só batismo, um só Espírito. Nós não estamos aqui para proclamar denominações diferentes. Nós não estamos aqui para proclamar visões diferentes. Nós temos um só Senhor. Sua visão é dEle, pois é Ele quem nos dá a visão e é Ele quem nos dirige, conduz e reina, pois ele é Senhor cujo todo o joelho se dobrará e toda língua confessará.

Isso é inegociável. Não importa se o mundo está me chamando de radical. Eu sou de Cristo Jesus. A mensagem é dele e o conteúdo é dele, Ele é glorificado e eu não sou nada. Ele é o nosso Senhor e Ele tem uma proposta para o homem integral, para o rico e o pobre, para o famoso e para o não-famoso. A proposta de Cristo Jesus não é para um segmento específico da sociedade e sim para todos, porque para Cristo Jesus não há acepção de pessoas.

Então, na pluralidade religiosa nós temos uma mensagem. Qual a importância da abordagem desse tema? Se não tivermos o cuidado em alta posição, nós corremos o risco de menosprezar o perigo, e assim, cair na armadilha da pluralidade. Para vencermos é preciso enfrentar o problema solidificando a nossa posição. Precisamos perceber os benefícios de se proclamar nossa posição. A igreja precisa de uma liderança que saiba o rumo. Que diga com clareza quem somos e o que cremos e porque assim vivemos. Clarificar que nossas ações são embasadas nessas premissas pois temos um Senhor que nos orienta e Ele é o Senhor da Palavra.

O mundo se molda e muda suas leis da noite para o dia, deixando as pessoas perdidas em relação à vida. A igreja deve ter uma única postura e uma única defesa para responder à perspectiva do mundo. Ela pode ter formas diferentes de abordar, dentro de culturas diferentes, formas de levar o evangelho dentro de perspectivas diferentes, todavia o conteúdo da mensagem é somente um: nós estamos aqui para proclamar a Jesus Cristo.

Isso glorifica a Deus, solidifica a igreja, traz alegria aos relacionamentos e conduz a igreja para fazer a sua missão. 1 Co 2.2 deixa claro para nós nas palavras do apóstolo Paulo onde ele afirma que decidiu nada saber a não ser Jesus Cristo e este crucificado. O que eu quero no final de tudo é que Deus nos considere ministros fiéis, que pregaram os mistérios do evangelho de Deus, para a glória de Deus.

Se a sua igreja for conhecida assim, você vai ter o melhor modelo de igreja a ser seguido. Igreja onde Jesus Cristo é glorificado, onde a mensagem de Jesus não é negociada, onde o senhorio de Jesus é proclamado e onde nós somos apenas servos e Ele é Senhor para glória de Deus Pai.

Autor: Leonardo Sahium
Transcrita de palestra proferida na Conferência CTPI 2011

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