PALESTRA 10 – RICARDO BARBOSA

Paulo convida a Timóteo a reavivar o dom que havia nele, ou como, temos conversado nesses dias, revitalizar o dom que havia nele – em I Timoteo 1.6-7. Mas que dom seria esse? Ao final do capítulo Paulo afirma que o Espírito não nos tem dado um espírito de covardia, mas de ousadia. Ou seja, essa dom tem relação com algo que vai além das nossas competências, mas tem relação com o que Deus está fazendo.

Nessa linha, NT Wright afirma que esse dom tem relação a uma capacidade de falar e fazer aquilo que muda uma determinada situação, para oferecer uma liderança que outros desejam seguir, para falar palavras de sabedoria que a atenção e a admiração, e para trazer cura e esperança onde forma mais necessário.

Mas como esse desafio de Paulo faz sentido para nós hoje que vivemos em sociedade tecnologia, racional e como diria Charles Taylor uma sociedade secularizada, uma forma de ateísmo prático, onde não se nega Deus, mas não se assume a necessidade fundamental dele. Onde acreditamos que as nossas necessidades são completamente supridas apenas pela realidade imanente, um tipo de mundo desencantado.

Nesse cenário um teólogo americano afirma que nós pastores precisamos ser evangelicais, sacramentais e pentecostais. No sentido onde reconhecemos a autoridade das Escrituras, onde a presença e o significado da Eucaristia e Batismo são reais, e onde dependemos do poder de Deus através a ação do Espírito Santo a vida de Jesus possa fluir na vida Igreja.

Calvino por sua vez diz: “Primeiro, devemos entender que enquanto Cristo permanecer fora de nós, e nós estivermos separados dele, tudo o que ele sofreu e fez pela salvação da raça humana é inútil e sem valor para nós… tudo o que ele possui é nada para nós até que nos tornemos um só corpo com ele. É verdade que obtemos isso pela fé. No entanto, como que nem todos aceitam indiscriminadamente a comunhão com Cristo que é oferecida através do evangelho, a própria razão nos ensina a subir mais alto e a examinar a energia secreta do Espírito, pela qual chegamos a desfrutar Cristo e todos os seus benefícios.”

É através Espírito Santo que podemos experimentar e permanecer unidos a Cristo. Timóteo assim como nós, precisa reavivar o dom do Espírito.

Citando novamente Calvino: “Portanto, para que nos transfira os benefícios que ele recebeu do Pai, é necessário que ele se faça nosso e habite em nós.”

Quando olhamos para os capítulos 14 a 17 do Evangelho de João, comumente temos em mente que eles são falas de despedida de Jesus, assim, como o capítulos mais trinitários da Bíblia. Mas há um outro assunto fundamental nestes capítulos: a nossa unidade com Cristo mediante a Palavra! Os discípulos amam a Palavra, vivem a Palavra e mediante a Palavra o próprio Deus habita neles.

E por conta disso, do próprio Deus nos habitar, os benefícios de Jesus em relação ao Pai nos são transferidos. E neste contexto que a promessa do consolador nos é dada.

E esses são os dois fundamentos para reavivarmos, para revitalizarmos as nossas vidas: a Palavra e o Espírito Santo. E isso é dom, nos foi dado.

Entretanto a cultura moderna que ignora a transcendência, esquece que nada que é finito, pode satisfazer anseios infinitos. Apenas o Deus Trino tem essa capacidade e Ele o faz, mediante a sua Palavra e o Espírito Santo em meio a essa caminhada onde ainda experimentados dor e sofrimento até o dia da volta de Cristo.

Revitalizarmos a nossa vocação, envolve reavivarmos o dom de Deus que nos foi dado!

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2019-08-30T10:56:35-03:00

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